Ela chama-se Ana e tem um sorriso maroto. Daqueles inocentes e meigos que nos levam a sentir livres e seguros ao mesmo tempo.

Ana é minha assistente pessoal e faz hoje 23 aninhos. Anos estes que não fazem jus ao seu profissionalismo de excelência. A Ana tem em si todos os sonhos do mundo e a vontade de tornar a passagem de todos nesta vida um pouco melhor e mais bela.

A nossa história começou há cerca de 9 meses, quando partilhei no meu blog que andava à procura de três pernas-metade (assistentes pessoais). Já perto da data limite para receber candidaturas, a Ana mandou-me mensagem através da minha página e puff, a magia aconteceu. Disse-me que tinha 22 anos, era terapeuta ocupacional e que seguia o meu blog há já algum tempo. E o mais fantástico de tudo: tínhamos um grande, grande amigo em comum. Daqueles amigos que sabemos que só tem bons amigos, sabem? E aos poucos sabia que tinha encontrado um achado – alguém da minha idade, com formação, e que, ainda por cima, de uma forma indireta, fazia parte da minha rede de amigos. A nossa relação laboral nunca foi propriamente estável, já tivemos um mês ou dois separadas. Tenho a sorte de agora, neste momento, tê-la como AP. Nada mais interessa! Sei das suas ambições profissionais e pessoais, da sua determinação e sonhos do tamanho do universo. Sei também que um dia a sua função enquanto AP poderá terminar, mas uma coisa sei que ficará, para sempre: a nossa amizade e companheirismo. Rapidamente a Ana se tornou muito mais que uma AP. Tornou-se uma amiga, uma companheira, alguém da minha família, do meu coração. E isso nunca mudará. Porque a verdade é que mesmo quando ela deixou de ser minha AP, pouquíssimo tempo depois, estávamos novamente juntas, mas como amigas. Com ela descobri uma nova forma de amar. Porque os assistentes pessoais também se amam, mesmo que meus empregados sejam. Juntas descobrimos o equilíbrio perfeito entre trabalho e amizade.

Muitos são os nossos planos aventureiros: ir acampar, ir ao Boom, fazer um interrail! E seja em que moldes for, tenho a certeza que iremos concretizar todos estes desejos. Juntas, somos imparáveis! E que venham todas as atrocidades, barreiras e muros, que daremos sempre as mãos e enfrentaremos qualquer tempestade, juntas.

A Ana é doce, a Ana é livre, a Ana é humilde. Ela é inteligente, esperta e mimosa. Ela é a Ana, a minha Ana. E quem tem uma Ana como ela, tem tudo.

         
 

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Raquel Banha

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Comments

  1. Teresa

    Olá Raquel. Estou a seguir o seu blog, depois da entrevista que deu sobre a deficiência (não ignorar). Temos essa faceta em comum – a deficiência- e revejo-me em muitos dos seus pensamentos/opiniões. Eu também tenho uma AP e por mais que os técnicos passem a vida a focar que não devemos misturar as coisas, o profissional e a amizade, sempre estive convicta de que é impossível ! Tem de haver laços, até para nos sentirmos à vontade! Somos adultos, sabemos bem o que queremos e distinguir os dois campos.
    Adorei o texto. Parabéns, querida Raquel.
    Já agora, eu sou a Teresa e pedi amizade no FB. Teresa Vendeiro de Melo
    Beijinhos e boa noite

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